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| Memorial da AEMO, por Ungulani Ba Ka Khosa |
| O acto de apresentação do Memorial comemorativo dos 25 anos da existência da Associação dos Escritores Moçambicanos coube ao escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Leia-se a seguir o texto de apresentação. |
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| Memorial da AEMO já à venda |
| Foi lançado no passado dia 2 de Maio de 2008 o Memorial comemorativo dos 25 anos da existência da Associação dos Escritores Moçambicanos. A obra contou com o patrocínio do Banco de Moçambique e foi organizada pelos escritores Pedro Chissano (Coordenador), Manecas Cândido e Marcelo Panguana. |
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| Memorial da AEMO, por Ungulani Ba Ka Khosa |
O acto de apresentação do Memorial comemorativo dos 25 anos da existência da Associação dos Escritores Moçambicanos coube ao escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Leia-se a seguir o respectivo texto.
Coube-me a honra de entretecer este gesto feito Memorial que a Associação dá `a estampa. Digo entretecer porque este tecido que se chama Associação dos Escritores Moçambicanos foi entrelaçado por vozes marcantes da gesta nacionalista e outras que em solo pátrio já independente foram enlaçando o edíficio que festejou o seu quarto de século de existência.
É voz corrente desde os tempos remotos que o escritor assume essa pomposa e iniludível responsabilidade de ser a consciência de um tempo, de um história. Mas a nossa História recente, rica em alegrias e infortúnios, é tão profunda e fantasiosa que a nossa literatura ainda está longe de a abarcar na plenitude das suas glórias e tristezas. E creio não ser lugar comum dizer, hoje e aqui, que a realidade ultrapassa, de longe, a ficção.
Os nossos vinte e cinco anos tiveram como cenário de partida a euforia dos tempos novos que abraçámos, tempos que Kalungano, no discurso de abertura da Conferência Constitutiva da Associação, disse serem «dos sentimentos mais nobres de fidelidade à pátria, do amor ao socialismo, à solidariedade, à amizade e à paz entre os povos». Estas palavras , transpostas da época em que foram proferidas, assumem-se actuais neste mundo cada vez mais desigual. Elas recordam-nos sempre que o objectivo, o sonho que se almeja para a humanidade é o da justiça, da igualdade, e do bem estar.
Fernando Ganhão, emérito cidadão que recentemente se libertou do corpo, constatou, ao tempo da constituição da Associação, e sete anos após a proclamação da Independência, «que os poetas, habitualmente,...pessoas que estão em contradição com a sociedade que os rodeia...Têm, por vezes, comportamentos que ultrapassam aqueles valores que uma sociedade defende ou pretende constituir. Este é um problema que penso deveria ser objecto duma discussão entre nós. Não que eu pretenda escritores ou poetas alinhados, quer dizer, marcando o passo ou o som de qualquer tambor que não seja de Craveirinha, mas porque sinto que nestes sete anos de Independência, a História do nosso país foi tão rica de acontecimentos, de coisas notáveis, e nós refugiamos-nos um pouco no passado.»
O saudoso Fernando Ganhão clamava então por um olhar mais atento e actuante na História do país. Decorridos estes anos, e com uma literatura fresca e actuante, os desafios então colocados tornam-se actuais, pois é no dever cívico, é na consciente participação do escritor nos desafios que a História nos comete que também reside a nossa responsabilidade como previligiados cidadãos desta pátria. Cabe, portanto, `a Associação dos Escritores Moçambicanos inscrever, de ora em diante, no seu Memorial, páginas que perdurem ao letargo do tempo.
Salta-nos a vista ao longo das folhas deste Memorial que a conflitualidade de gerações processa-se num quadro a que podemos chamar, utilizando uma palavra que me é cara, de dialéctico. E isso vai de encontro ao que o Víctor Hugo, ao referir-se à arte, dizia, em palavras simples, que o belo nunca afasta o belo.O que de consistente e durável uma época comporta transita sem refrega à época seguinte. De dizer que no nosso curto mas rico Memorial, o espaço de conflitualidade deu lugar `a irmandade e enriquecimento.
Bem haja esta Memorável iniciativa.
Obrigado. |
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