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Memorial da AEMO, por Ungulani Ba Ka Khosa
O acto de apresentação do Memorial comemorativo dos 25 anos da existência da Associação dos Escritores Moçambicanos coube ao escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Leia-se a seguir o texto de apresentação.
 
Memorial da AEMO já à venda
Foi lançado no passado dia 2 de Maio de 2008 o Memorial comemorativo dos 25 anos da existência da Associação dos Escritores Moçambicanos. A obra contou com o patrocínio do Banco de Moçambique e foi organizada pelos escritores Pedro Chissano (Coordenador), Manecas Cândido e Marcelo Panguana.
 
Prosa

BRINCADEIRAS DE MACACO

Tokwene-a-macaca deu três cambalhotas, equilibrou-se sobre as suas patas de símio  e desapareceu entre a ramagem, carregando na mente o desejo de uma visita a casa da sua grande amiga, Noa-a-cobra. Não se viam já passavam duas ou três semanas. “Deve estar a correr-lhe tudo bem por lá, a malandra nem sequer me ligar, liga.” pensou Tokwene-a-macaca, tentando uma ligação. “Está com o celular desligado, a safada.” Pensou em mandar um e-mail, mas quedou-se logo na opção de ir visitá-la à casa.

  • Alguém em casa? – Silêncio – Dá licença!
  • Quem é?
  • Sou eu, abra!

 

Do outro lado da palhota subia uma nuvem, trazendo à vista a imagem de uma fogueira, tosca, na qual fervia uma chaleira enegrecida pelo tempo de uso. –  “se me tivesse Deus dado um par de  mãos e braços, dava eu um trato nesta chaleira” – Dizia de si para si Noa-a-cobra, sempre que os seus espertos olhos se lançavam à figura daquela pobre chaleira.

Tokwene-a-macaca circundou a palhota, entrou e descobriu a amiga com o corpo enfiado num tijolo encostado à cubata, a cabeça aquecendo a um palmo da fogueira.

  • O que fazes enfiada nesse tijolo, à esta hora?
  • Vigio a chaleira ao lume!
  • Ainda bem, assim aproveito e tomo uma chávena de chá!
  • Esta água é para amassajar os meus filhos!
  • Ah, o que aconteceu com eles?
  • Mais uma vez os teus filhos andaram a arranhar os meus!
  • São assim mesmo as brincadeiras das crianças! O que fazer?...

 

Fazia muito tempo que Noa-a-cobra estava habituada a ouvir esta resposta da amiga, Tokwene-a-macaca,  mãe dos pequenos símios,  amigos estes das cobrinhas, filhos estes de Noa-a-cobra.

Na manhã seguinte, depois de uma breve conversa com a mãe, as cobrinhas saíram satisfeitíssimas para as brincadeiras do dia. O caso não era para menos. Cansada de fazer curativos, Noa-a-cobra autorizou os filhos a defenderem-se das macacadas dos pequenos símios. Cinco mortos foi no que saldou a brincadeira do dia para a banda dos peludos. Zangada de quase lançar fumaça pelos ouvidos, rosto banhado em lágrimas, Tokwene-a-macaca foi dar à casa de Noa-a-Cobra aos berros.

 

  • Os teus filhos mataram os meus macaquinhos!
  • São brincadeiras de crianças! O que fazer, minha amiga?

E, na fogueira ardendo ao meio da cubata,  a enegrecida chaleira fervia para o chá da celebração do fim da macacada.

Aurélio Furdela

 
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